segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Mistério do Reino de Deus

“E ele lhes disse: A vós é confiado o mistério do reino de Deus, mas aos de fora tudo se lhes diz por parábolas”  (Marcos 4:11)



A Bíblia tem registros sobre o reino dos homens, o reino dos céus e o reino de Deus. Em grego, a palavra “reino” é basileia  (154 versos no NT), derivada de “rei”, gr. basileus. Os dois livros do Novo Testamento que mais recorrem ao termo “reino” são Mateus, com 54 ocorrências, e Lucas, com 44. Interessante é que a expressão “reino dos céus” prevalece no evangelho de Mateus (32 versos), que apresenta Jesus como Rei; e “reino de Deus” prevalece no evangelho de Lucas (também, 32 versos), que apresenta Jesus como Homem. No AT, há quatro ocorrências de  “reino dos homens”, mas nem “reino de Deus”, nem “reino dos céus” aparecem.

Enquanto o mundo inteiro, que jaz no maligno (1 João 5:19), ocupa-se em discorrer sobre o reino dos homens, enfatizando sua economia, política, cultura e tantos outros aspectos; a Palavra de Deus nos alerta uma única coisa, que “o Altíssimo tem domínio sobre o reino dos homens” (Dn 4:17,25,32 e 5:21). Na Bíblia, quando se fala em reino dos céus, a ênfase está no Rei, no reino e em Seu povo; e quando se fala em reino de Deus, no governo espaço-temporal sobre toda a criação.

Para muitos, o reino dos céus e o reino de Deus são apenas formas diferentes de expressão de uma mesma coisa. Consideremos o pensamento dos eruditos: Witness Lee apresenta em “El Nuevo Testamento—Versión Recobro” um “Diagrama da Diferença entre o Reino dos Céus e o Reino de Deus” (p. 30-31). Segundo Lee, o Reino de Deus compreende todo o período de tempo da eternidade passada até a eternidade futura, incluindo a era antes da fundação do mundo; a dispensação da inocência, anterior à lei (era dos patriarcas); a dispensação da lei (era dos israelitas); a dispensação da graça (era da igreja); a dispensação do reino (o milênio); e a dispensação do novo céu e nova terra (a Nova Jerusalém). O reino dos céus é um período de duas eras que ocorre dentro do reino de Deus, tendo a sua realidade e aparência na era da dispensação da graça e a sua manifestação na era da dispensação do reino, sendo que, nos dias atuais, vivemos na era da graça. Lee ressalta ainda que o reino de Deus, especialmente em sua realidade como igreja verdadeira nesta era (Rm 14:17), continua sendo um completo mistério para o homem natural.  De fato, sempre houve muita controvérsia em torno destes dois aspectos das eras dispensacionais do reino de Deus: a igreja e o milênio,

Entendemos, segundo a revelação da Palavra, que a realidade do reino dos céus tem a sua expressão no senhorio de Cristo sobre a igreja (cristãos verdadeiros), quando este ocorre de fato, em uma vida de simplicidade centrada na pessoa de Jesus, o Rei, como detalhado na constituição do reino, em Mateus 5-7. Podemos sintetizar tal realidade com a conclusão de Paulo: “e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim”, e isso é tudo!  Por outro lado, a aparência (gr. cosmos) do reino dos céus é apenas um “cosmético” usado pelos homens (os falsos irmãos) para simular uma relação próxima entre eles e Deus, visando a centralidade do ego, em todas as suas variadas expressões, como apresentado nas parábolas de Mateus 13:24-32. Aqui, já não ocorre Cristo vivendo no homem, mas o homem tentando, por suas forças naturais, seguir os ensinamentos de Cristo, sem realidade interior.
Sob esta ótica dispensacional, podemos dizer que o milênio (Ap 20:4-6) terá a sua parte celestial com a manifestação do reino dos céus, i.e, Cristo e os santos vencedores, como reis; e a parte terrenal, com o reino do Filho do Homem (Mt 13:41; Ap 11:15), i.e, Cristo e os israelitas salvos (Rm 11:26-27; Zc 12:10; Ez 36:25-28) governando as nações restauradas (At 3:21; Mt 25:32-34).

A verdadeira vida cristã é a própria vida de Deus governando em nosso espírito humano. Então, quanto a nós, que somos de Cristo Jesus, “... se vivemos no espírito, andemos também no espírito”  (Gálatas 5:25).

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